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Archive for novembro \27\UTC 2009

Criança de maneira geral tem uma memória de elefante. Como a minha, durante a vida que me cabe até agora, nunca foi lá muita coisa, sempre me instigou conversar com gente que demonstra boa memória (piadinha ridícula: o ruim é lembrar das conversas depois). Pra ser mais correta comigo mesmo, devo dizer que minhas crises de insônia – desde adolescência – acredito, já promoveram um verdadeiro “tiute” no meu cérebro.

E Theo, com todo o seu tinir da pouca idade, manda ver…

Semana passada, o domingão foi na casa do amigo Iro, em Aldeia, que Theo adora. No terraço, musiquinha boa era ouvida de um toca disco. Iro mandando ver seus LPs na vitrola. Nem preciso dizer que “aquela máquina” – com o disco girando – fez Theo parar por um bom tempo e observar.

Congela o tempo.

Vamos pra hoje, sexta-feira pela manhã. Já é de praxe que quando Theo acorde não nos acorde. Ele se levanta e vai, geralmente, recomeçar de onde finalizou o dia anterior. Hoje ,acordei com Pluct Plact Zum, de Raul, no repet, tocando no som Micro Sistem de Theo. CD. O Som que Theo ganhou do avó Acioli no Natal retrasado.

Me levantei para ficar com ele. Já vem então o início da tagarelagem.

“Mamãe você já sabia que esse CD existia? Você já tinha escutado ele aqui em casa?”

E eu: “Claro, meu amor. Fui eu quem comprou esse CD pra você. Mas pelo jeito você é quem descobriu ele só agora” respondi com certa ironia… : )))

Adendo: pensei em como o tempo é relativo. Pensei em como descobrir torna irrefutavelmente o velho em novo. E que isso não acontece de maneira linear. Vi até uma frase essa semana no twitter que me fez ficar pensando sobre… E que isso pode acontecer a vida inteira, como uma brincadeira relativamente que corre entre boa e ruim.

“Aproveitei a viagem do pensamento e completei para Theo: “Filho, essa música mamãe ouvia quando era pequena”

Aí ele me interrompeu: “mas naquele disco grande que gira, não foi?”

: (((( silêncio. Meu tempo é outro para Theo. Sou de que tempo?

ps: Indo pro colégio, eu olhando pro pé dele dentro do carro. “Filho, temos que comprar uma sandália nova para o colégio. Teu pé já está passando. “Aí ele: “não, mamãe. Não vou nunca dar essa sandália. Vou guardar para o meu filho. Pausa: risos…..

O pai, pelo retrovisor, também se abrindo. E ele, Theo, continuou: “isso mesmo, mamãe. Eu quero guardar para dar ao meu filho. Eu vou ter dois: um de verdade e Miró (o gato). : )))) Ok. você está dizendo, a gente guarda então. : )

ps1: pergunta de Theo também hoje durante a “luta”matinal para tomar o suco, quando é de laranja (segundo ele, a fruta que mais odeia): “mamãe, porque as tomadas vão ficar com três furinhos? A do meu quarto já é. Você vai mudar as outras da casa?” E eu: onde tu ouviu isso, criatura? Na televisão. : )))

ps2: Theo não vai no banheiro com ninguém dentro. Quando é pra fazer cocô, pede apenas pra ajudar a tirar a roupa. Depois me manda passear até ele me chamar de volta para “fazer o trabalho sujo”: ) Mas …. eu, como de costume, vou saindo do banheiro, e ele: “mamãe, você pode colocar o “tamborete” aqui na minha frente e pegar uma revistinha preu ler?” É pra rir…. : )))))

Com certa ironia, respondi: “que tipo de revista você quer ler? (não, Theo não lê ainda – leitura pra ele é “ler”as imagens). E ele só não me dê essa aí de cima que eu já li. : )))) Ok. Faço o que ele pede e me mando achando graça dessa criatura.

ps3: o ventilador xodó acabou de cair no chão. Ele, que estava só com duas hélices (uma já tinha quebrado) agora acaba de perder mais uma. Prometi que vamos comprar uma hélice. Inconformado d’eu estar aqui no computador e não ter saído de imediatamente comprar, disse que ia tirar um cochilo para o tempo passar logo e quando acordasse eu não estar mais aqui. : )

ps4: estou em casa hoje, porque a babavó foi ao oculista. A foto para este post eu coloco à tarde, porque, como já disse, brigo com tecnologia e nesse Mac de casa só Michiles sabe mexer…

E mais, a propósito, Theo disse que o cérebro é o nosso computador. E que o de Miró, como ele é um animal, não funciona bem. :)))))))

Então viva a sexta-feira e esse começo com tempo para por em dia blog. Antes que a minha memória me traia….. : )

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Nada a ver com o post: só para mostrar o pequeno em mais uma de suas invencionices: seu carro!

Em casa de ferreiro, Massa do Chef, i’m sorry! Theo tem um tio – meu irmão, Luis Lins – que é formado em gastronomia. Não bastasse, saca tudo de massas. Já trabalhou em um restaurante na cidade que faz massas caseiras, uma cuccina italiana, na verdade. Ou seja, aprendeu de um tudo sobre a culinária italiana. Do outro lado da “mesa” nessa história está Theo, um menino que, embora proibido de comer glúten-trigo-logo-massas, tem um tio que é um espeto de mais fina navalha nessa casa de ferreiro.

Lulão, como eu chamo, junto com outro moço com nome que já tem chinfra de nome de chef, Demetrius, vem pesquisando o ponto da massa sem glúten a um tempinho. As experiências foram assistidas por nós de camarote, claro, aqui na minha casa, que se transformou no QG da Massa do Chef, a nova grife da culinária sem glúten aqui das redondezas.

Com isso, as massas que puder imaginar está aborrotando a minha geladeira. Tem rondeli, caneloni e mais pra frente terá macarrão caseirinho e muito do gostoso como tudo que ele está fazendo está.

Com a Massa do Chef, Lulão começou a receber encomendas também. E isso é show! Fico imaginando que, a partir de agora, Theo não ficará excluído do terreno das massas… nunca mais. Isso só pode ser muita sorte nessa vida!

Além das massas, ontem à noite aqui em casa foi do pão. Iguaria que eu já estou fazendo de olhos fechados e me superando toda vez que o pão sai do forno. Pra chegar ao ápice só mesmo se eu soubesse/aprendesse a fazer cream cracker, o calcanhar de aquiles de todo celíaco.

ps: Theo agora tem uma caveira pra chamar de sua. Claro (mas é bom que se reforce aqui) que não é de verdade. Com a insistência insistente de uma criança batendo pesado nas minhas “oiças“, tive que dar o braço a torcer. Fui no Carrefour e achei uma da marca National Geografhic. O esqueleto está montado e numa espécie de “pedestal” fica de pé com braços e perninhas móveis. Resultado: é o xodó lúdico de Theo, embora não durma dentro do quarto nem a pau. :)))) “Mamãe, quero ela no guarda-roupa não. Depois quando eu acordar ela cair em mim não vai dar certo. Vou ter muito medo. Ok. A caveira está “rodando” pela casa.

ps1: novo discurso-chantagem do pequeno para a minha pessoa “mãe-boba” que sou: “mamãe, não gosto mais de você. Era melhor que eu não existisse. Eu devia ser filho de outra mãe… o seu quarto devia ser bem longe do meu…. ou ainda: você devia ser “probe” e ficar na rua, sem lençol, com frio…. eu não ia nem te ajudar e nem querer saber” Valei-me! Para minha mãe: mãe, bem que você me disse – quando te dizia as mesmas coisas – que um dia eu ia ter um filho pra chamar de meu. “A vingança” é mesmo um prato que se come frio. : ))))))

ps2: Filho, meu drama diminui cada vez que te escuto falar assim. Como num susto, me vejo uma criança falando baboseiras do tipo com a minha mãe. O que quer dizer também que a gente aprende muito quando está ensinando. E aviso logo: um  castiguinho tá valendo….

PS3: A quem interessar, contato para encomendas da Massa do Chef  – Luis Lins e Demetrius – massadochef@gmail.com

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Mãe com poder zero…

Depois da noite de Halloween na casa do amigo Ben, Theo – por aprovação da mãe aqui – acabou mordendo um pedaço de “doce com glúten” como uma “maça envenenada” que o fez “cair de cama” durante o final de semana e + a segunda inteira…

Não achei que tivesse glúten ali, naquele docinho tão lindo…. e eu imprudente disse que o pequeno podia morder…Ele nem mordeu mesmo, só triscou os dentes na abobrinha laranja que a reversa mostrava-se puro veneno.

Daí a tudo se resolver bem, claro, foi um final de semana que parecia infinito com Theo sentindo muita dor na barriga, com febre e diarréia…

Fiquei me sentindo (por motivos óbvios) muito culpada. Até porque imaginem que o danadinho perguntou, parou e pediu para que eu confirmasse que aquilo que ele estava levando a boca não continha glúten. Ele foi mais cuidadoso do que eu… e eu que sempre soi tão cuidadosa com isso.

– é quando a dor, a gente tem certeza, é intransferível. : (

Passado o nosso aperreio, indo para Ana Amélia, Theo no carro dizendo:

“Mamãe você nem sabia que tinha glúten não foi? E eu: não, meu amor, não sabia. E ele: “Mas porque você não sabia?”

A pergunta entrou como uma faca – como em drama mexicano e com todas as tintas. Como eu, a MÃE, podia não saber?

Respondi que se eu pudesse, dor nenhuma ele sentia. Que se eu tivesse mesmo poder, toda dor viria pra mim, num estalar de dedos… mas que isso era só desejo e que na verdade a mãe aqui não podia fazer muita coisa. Tinha que continuar cuidando e tentar amenizar a dorzinha que ele estava sentindo.Mas que eu estava juntinho e sentia muito no coração por ele ter ficado tão baquiadinho…

Bem… ele veio com a resposta mais assombrosa que o final de semana inteiro:

“Não tem problema, mamãe. A dor passa. E você não tem poder…  a única coisa que tem poder é rezar… reze por mim….

Quase que parava o carro e corria. Como assim, chulé? Rezar…. ?????? Minha cabeça foi de interrogações… e mais interrogações.

Eu não sou lá um exemplo de pessoa nessa área. Não rezo. Não vou à missa. Não falo de religião, de Deus…. O colégio de Theo também não é religioso…Como assim é só rezar e pronto, filho?????

E aquela criaturinha ali… no banco de trás do carro pedindo para que eu apenas rezasse por ele que isso era poderoso.

“Claro que rezo”, meu amor, foi a minha resposta. E era só a que tinha ali pra dar e dizer.

ps: o lado bom desse final de semana ruim foi que podemos ter certeza de que a dieta de Theo é massa (sem trocadilho). Porque sabemos exatamente que o corpo dele não tolera o glúten e que nossa atenção – com exceção a essa vez – tem sido máxima.

ps1: mesmo baquiadinho Theo ainda teve energia para cortar um lado do bigode do gato Miró, seu filho, como ele diz… a explicação? Mamãe, ele não é meu filho? Tenho que cuidar dele. Preciso fazer a “baba” de meu filho. E cresce, mamãe… tem problema não. A gente (o gato e ele, entendem?) estavamos brincando de “salão de beleza” : )))) Ah, sim…. ok!

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Theo pediu uma blusa com a abóbora! Tinha que ser algo "muito assustador, mamãe"

Tem uma coisa que Theo curte: coisas muito assustadoras, como ele mesmo diz. Gosta ao mesmo tempo que “tora o aço”. Acho engraçado como é uma distância que nem passa um fio de cabelo de sapo entre uma coisa e outra. Ou seja: contar historinhas de terror, ver filminhos (desenhos) com o tema de fantasma é tudo de mais melhor de bom do outro mundo de instigante para esse pequeno. Mas “escuro” que é bom, longe. Léguas! : ))

Ontem no apagão foi assim. Mamãe, não consigo ver nada. E eu, que já estava do ladinho dele, dando colo para ele se sentir seguro dizendo aquele velho textinho de mães para filhos: meu amor, fantasma só em desenho (gostaria de dizer que existem “almas penadas” mas não lá do doutro lado… bem). Isso não existe e tals. O que existe de dia – na luz – existe na noite – no escuro.

E aproveitei para mudar o foco falando que o filho dele, Miró, é quem se dava de bem nessa historinha: via melhor de que nós todos juntos ali no escuro.

Bem, Theo, na semana retrasada foi a uma festa de Halloween na casa de Ben (Benjamin) coleguinha do colégio, filho de Cecília Chaves, que é uma mãe muito da lindinha e que faz festa há uns quatro anos para toda a criançada na data. Os meninos da sala esperam a data com a maior expectativa, ansiosos e combinando as fantasias de “mais terror” para poder vestir.

Theo, como além de terror, adora o corpo humano, que ele acha “parecido”, no quesito funcionamento, com uma máquina, queria um esqueleto para chamar de seu. Mamãe aqui, que não costuma nem no Carnaval vê-lo interessado em se fantasiar, arrumou logo um jeito de viabilizar a fantasia pra ele. Tome abóbora, caveira, esqueleto.

Perguntas posteriores:

Mamãe, você podia arrumar um esqueleto de verdade para mim? De alguém que já morreu de verdade. A carne da pessoa desaparece, mamãe. Então tu arruma pra mim? E eu, toda natural como se ele estivesse me pedindo um confeito, respondi: filho, não pode. As pessoas são enterradas. Ninguém vai gostar de tirar da terra o “ossinho” de alguém que gosta… a gente não mexe…

e ele logo me interrompe!

Mexe sim, mamãe. Você não sabe. Mas eu sei. Minha professora Rebeca levou uma caveira de verdade, que foi de uma pessoa que já morreu. Mamãe, ela não precisa mais do osso quando morre. Aí Rebeca pegou e disse que só estava faltando a boca….

Valei-me… quanta naturalidade com um tema como esses…. ser criança é… ser criança. Quanta leveza (eu me pelo de medo de morrer).

Bem, continuei… mas filho. Não sei onde arranjar uma caveira. E ele, de novo, tão natural, quanto insólito, quanto leve: “eu sei, mamãe! Minha bisa Mari num já morreu? Então. Pega a caveira dela preu levar pro colégio.

Sem comentários. Perguntei outra coisa, tchau e bênção. : )

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