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O Carnaval é abstrato. Ponto. Na alegoria da festa, cada um carrega o estandarte que escolhe para si. Aqui está o do meu “folião” pequeno Theo. Feito no dia da Prévia dos Amantes de Glória, o melhor bloco de Carnaval do planeta pra nós pais. Ele não foi para a farra. Não curte muito não. Mas antes da gente sair fez questão de frevar com o dele que, passado a euforia, foi parar no jarro lá na varanda e virou moinho. : ) O bom é isso.

O estandarte de Theo é feito de hélice + pau de vassoura + rolha + prego....


A fonte quebrada foi "presente" do pai. O resto é cacarecos já dele...

Eu no computador, ele lá indo de um canto a outro dedicado as suas ideias, e obstinado a colocá-las em prática. Chega perto de mim e sai: mamãe, como é que a planta toma água se ela não tem boca? Já vai eu tentar explicar no modelo “como se fosse” que a boca da planta é a raiz enfiada na terra. E que quando a gente coloca água na plantinha molhando a terra, ela chupa aquela água pela raiz.

Explicação dita, ele sai do alcance de minha visão.

Daqui a pouco volta: mamãe, eu inventei uma coisa para que a plantinha não tenha que fazer tanto esforço para beber água. Explicou ainda que ela ia ter água diretinho na boca.Vem ver, vem ver, vem ver, como ele sempre diz assim que acaba de inventar!! Insistente que nem ele, e sabido só do momento agora, me levanto rapidamente pra ver qual foi a última.

Eis aqui o modelo do “troço” que ele inventou. Um espécie de funil com cano enterrado na terra. A coitada dessa planta, ontem à tarde, teve que tomar – “goela” abaixo- água a beça, a bichinha. : )))

Na invenção: pedaço do banco que a prima Gabi deu – que já se tornou verdadeiro coringa de suas invenções – + um cano enfiado na terra. Na mão, água.

O danado do pedaço do "banco coringa" que a prima gabi deu, encaixado num cano e enfiado no jarro. Na mão, água.

ps: O “peso pena” de Theo é “regado” a muita paciência nos horários das refeições. Nós (mãe e pai) e + Teca dedicamos a paciência elevada a centésima potência. Essa é uma das nossas grandes novelas. A avó Carminha, mãe de Michiles, diz que já viu esse filme antes. Michiles era de igual a pior para comer. Ainda não era diabético nem nada, mas comia como se tivesse uma alimentação “especial”, comenta ela. Era costelinhas à vista. Nesse aspecto sei que a mim mesmo o danadinho não puxou. Até fui uma adolescente “puro osso ou tábua de passar ferro como a gente dizia na minha época”. Mas quando criança fui gordinha e “comia de um tudo”, como conta Teca e a minha péssima memória alcança. Minha avó Mari, mãe de minha mãe, fazia “carne” de cascas. Isso mesmo. Era casca de melancia, jaca, mamão e melão. Parecia, o sabor, com carne de soja. Ela temperava como se fosse carne mesmo. E a gente, os netos, amávamos. Comia não só isso, mas cozido (que odiava) e tudo que minha mãe desse na telha que eu tinha que comer. Era a ditadura da Marja. : )

E Theo é cheio dos “pra-que-isso”. Por exemplo: gosta de banana cortada, mas se mostrar ela machucada é capaz de fazer carinha de que a comida vai fazer o caminho de volta; não gosta de goiaba, mas do suco; adora inhame, mas cortado. Aí, dias desses, machuquei, fritei um ovinho e coloquei requeijão. : ))) Misturados os ingredientes, fui dar com ele assistindo televisão. Resultado: amou. De outra vez, fui deixar que ele comesse…. olhou pro prato e soltou um Eca!!!!!

O que mostra que o discurso dos educadores de plantão está certíssimo: é preciso comer olhando, prestando atenção ao que se come. Educa o paladar, melhora a digestão.

ps1: Ontem, ele tomou sopa no jantar. Quando estava na metade, pediu para eu fazer a dos 100. Explico: a gente quando está negociando a quantidade e eu vejo que ele já comeu legal, deixo fazer a brincadeira dos 5, que é mandar ver mais cinco colheradas. E ontem, ele que, embora tenha raciocínio matemático, ainda não deu conta dos números direito, veio com essa: vamos fazer a dos 100. : )) Pra não sacanear tanto, disse que 100 era muito e que podia fazer a dos 50, porque era a metade de 100. Contei colherada por colherada e berrei quando chegou nos 50. Foi divertido.  Prestando atenção, tenho certeza, de agora em diante ele voltou para os 5, que não é besta.

ps2: dedico este post a todas os “pães” (pais e mães) que cumprem essa penitência diária de alimentar seus rebentos, mesmo que a cada refeição, uma odisséia se inicie. E vivem de negociação em negociação para mandarem para dentro dos buchinhos uma comidinha de sustância. : )

ps3: tio Paulo Emílio contou que, com as duas filhas Lulu e Sophia, essa história se resolveu da seguinte forma. Não quer comer não? Então agora só vai comer alguma coisa na próxima refeição do dia (sem direito a lanche para dar uma acalmada na fome). Hoje, elas mesmo dizem: Deus me livre deixar de comer. Lição aprendida. : ) Já contamos a Theo a sugestão de tio Paulo. Tática de terrorismo.

Na oficina de Theo!



Muitos já entenderem a xarada: presente pra Theo vale menos em loja, digamos, de brinquedos, e mais em “trecos” ou até mesmo: eletrônicos quebrados de casa que você não quer mais em SUA moradia e vai deixar a casa de Dani mais “amontoada” do que já é desses trecos. : )

ps: fomos na terça assistir a Astro Boy (por motivos óbvios, Theo amou, claro). Depois do filme, como de praxe, uma passadinha na Eletroshopping, Exclusive Line e Polishop. Nada como uma passeada trivial (para nós) depois do filminho no Shopping. : )))

Essa “invencionice” estou postando retroativamente. Cria deste momento “ócio produtivo” que são as férias. E eu, até mesmo a pedidos dele, fico fotografando as invenções para depois colocar aqui. Algumas passo batido (que eu fizesse isso toda vez não ia ter vez pra mais nada). As que não passo, segue aqui. : )

A ideia em questão era fazer essa água, com a força da hélice, sair do botijão pela mangueirinha. Até ensaiou um “encanamento” como a foto mostra.

A tentativa era fazer a água sair do botijão pela mangueirinha (mas claro que do jeito que fez, não ia acontecer)

ps: Theo, como coloquei aqui, agora está no momento “terremoto-como-a-última-coca-cola-do-deserto-de-sua-curiosidade”. Pede para colocar vídeos que mostrem terremoto; pede pra ver as notícias sobre o Haiti (e mesmo que a gente evitasse, ainda viu informações dos jornais a respeito e por aí vai). A curiosidade dele é saber como a terra treme, porque as coisas que estão em cima caem e porque aqui (Recife) não tem (não como um Haiti… ).

Lógico que não dá pra explicar com preciosismo as coisas.  Nem eu e nem o pai somos entendidos do assunto. Portanto, não saberíamos mesmo explicar corretamente. Mas falamos o mais lúdico do mundo possível (do possível pra nós também) sobre as placas tectônicas que “sustentam as cidades” (nem pensar explicar sobre continentes, paíese ou afins… as distâncias geográficas ainda não são assim tão simples de explicar). Na explicação do tipo mais grosseira possível, falamos que o Haiti está localizado exatamente na linha que cola uma placa tectônica na outra; e que as placas são os pedaços de terra onde “as cidades” estão em cima. Quando essas placas se movimentam – como elas são imensas (tentei fazer uma comparação com um copo d´água em cima de um formigueiro) – tudo que está em cima treme e acaba caindo.

Não sei o que das palavras foi pra dentro da cuca dele exatamente. As perguntas continuam, as dúvidas também, com direito de repetição das mesmas perguntas e mesmas dúvidas.  E a nós, as mesmas respostas, repetidas vezes também.

Da história, sobrou até uma pergunta a respeito do Recife: a nossa cidade não é ilha? Três exatamente separadas por pontes, respondo. E então, continua ele, como é que a gente não afunda….. a dificuldade pra ele, no desenhinho mesmo do Terra, é saber que estamos fora e não dentro da linha.

Que ele passa o dia “pensando nas invenções” é certo. Não para. Quando ele está quieto com o olhar parado na reta do horizonte, é que vem bomba… como já falei aqui é que nem aquele desenho Pink Dink Doo, que quando a menina pensa a cabeça vira um balão e ela começa a subir se enchendo da própria imaginação e possibilidades.

Aqui, posto algumas “releituras” de máquinas de lavar (com design arrojado de Theo : ))), equipamento-engrenagem (como ele diz) que chama bastante a atenção de Theo. A propósito: por várias vezes ele acompanha todo o ciclo de lavagem em cima de uma tamborete na área de serviço. Diz que quer entender o mecanismo.

Vasilha de brinquedo, mangueira do chuveirinho do banheiro, mais um pedaço do "velho" banco dado a ele pela prima Gabi


Hélice de ventilador "ferro velho" que ganhou do cara que veio fazer manutenção no ar-condicionado + grade de um outro ventilador que ele ganhou + cesto de colocar roupa lavada

Colocando a "danada" pra funcionar. Na montagem: cesto de colocar roupa limpa + grade do ventilador branco + grade de um outro ventilador (preto) + hélice (ferro velho) que ele ganhou do cara que veio fagzer manutênção no ar-condicionado

Em ação!

ps: quando reclamo que ele só faz desmontar todos os brinquedos, a resposta vem de pronto: se é pra você reclamar, mamãe, era melhor não ter me dado isso. Por que você comprou, então? Você sabe que eu só gosto se puder entender como funciona. Se não quer deixar, então não me dê e pronto.

ps1: nessas horas lembro de minha infância. Especificamente do meu irmão, Deço, que curtia “destruir” os aviões que meu pai trazia de viagem para ele colecionar – num desejo maior do pai do que do filho – que, na verdade, queria mesmo era desmontar pra pegar a bateria e fazer barquinho de isopor. Ele fazia vários, de vários modelos. Nessa época, morávamos na rua Padre Roma, Parnamirim, e bem em frente da nossa casa tinha “um clube” (não sei exatamente o que era, mas sei que tinha um lagão e que hoje é um super prédio com a casa de frente). Deço também não me dava folga e todos os meus brinquedos entravam na roda. Como se fosse hoje, lembro do Gênius (brinquedo que eu adoro até hoje, tenho e jogo – e que não deixo Theo nem chegar junto), do meu carrinho que tocava “disquinhos” e por aí vai. Deço desmontou. Eu, mais novinha na época, abri o berreirão. E o “coitado” do meu irmão teve que montar em dois segundos. Hoje, Deço “morre de inveja de Theo”. Diz que o pequeno, com a permissão da gente, consegue ser mais feliz que ele foi (já que teve seus desejos frustrados com muito esporro). : )  E confessa: amava desmontar e montar…. saber como tudo funcionava, reinventar. : ) E aí é, igualmente, onde os laços se cruzam e se bifurcam em novos horizontes, em outros contextos.